sexta-feira, 4 de abril de 2014

BOQUIM EM PERÍODOS DA DITADURA MILITAR

                                                                                                                                   JOSÉ DE JESUS SANTOS – PROFº DE HISTÓRIA DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE BOQUIM

Otaviano B.
No ano de 1950 o prefeito de Boquim foi Antonio Maia, seu sucessor foi Octavio Bezerra Dias e João Bismark. Neste período através de atas da Câmara Municipal do ano de 1951 a 53 observasse que na mesma se obteve apresentações de projetos de lei do executivo, e indicações dos edis, aprovados uns por maioria outros com diferença de 1 voto sobre diversos temas.

Mesmo muitas sessões não terem nada a tratar na Ordem do Dia ou no Expediente podemos ver que foram discutidos: o pagamento das despesas da Usina Municipal de Eletricidade, criação da Cadeira Municipal do povoado Jaboticaba denominada “Escola Municipal Dep. Armando Fontes”, venda do prédio do antigo Quartel da Polícia, a compra de Grupo Gerador, a construção de um prédio para instalar Usina Municipal de Eletricidade, pissaramento ao redor da Praça Olimpio Campos entre outras coisas.
Antonio Maia

O ex-prefeito Antonio Maia ia lançar sua candidatura a Deputado Estadual, mas em viagem a Cumbe, para a festa de Santos Reis, o veículo em que viajava com mais cinco amigos tombou numa ponte e num córrego todos perderam suas vidas.

Após o golpe militar em 64 todas as decisões políticas tinham que ter o aval do núcleo militar, era o Coronel responsável pelo setor que determinava, por exemplo, se as manifestações públicas e estudantis poderiam ser permitidas.  No dia 04 de abril do ano de 1964 apenas três deputados estaduais foram solidários ao governador Seixas Dória deposto, entre eles o de Boquim, Nivaldo Santos – PR (Partido Republicano) mas a maioria atenderam aos militares e Dória foi afastado por 23 votos a 8 ficando em seu lugar Celso Carvalho.
João Bismark

Em Boquim nas décadas de 40 e 50 antes do golpe militar surgiam o PR (Partido Republicano), PSD (Partido Social Democrático) fundado pelo Tabelião Pedro Simões Freire e a UDN (União Democrática Nacional), organizada por Jacomildes Barreto e a família Fonseca.  

Em outubro de 1965, foi editado o Ato Institucional n° 2 que pois  fim ao fim do pluripartidarismo, como diz o art.18 do Ato Inconstitucional nº2:  "Ficam extintos os atuais Partidos Políticos e cancelados os respectivos registros”, assim 13 partidos políticos legalizados no país foram extintos. Pelo mesmo Ato se forçou a criação de um sistema bipartidário a ARENA e o MDB.
Nacionalmente urgiram após fusão do PTB e PSD o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (Arena) formada pela UDN e o PR. O partido de oposição moderada ficou sendo o MDB e a Arena se tornou o partido do governo.
Os governos municipais só poderiam acatar para não correrem o risco de perderem o Poder e as autoridades locais se limitavam a cumprir ordens. É possível assim como em Lagarto o episodio de 31 de março de 64 em Boquim não tenha sido sentido pelo povo, mas somente entre as autoridades locais uma vez que no período o mandonismo e resquícios do período coronelista ainda eram vividos nos interiores de Sergipe assim como em outras partes do Brasil.

Em Sergipe no período de 1974-1978 Oviêdo Teixeira foi Deputado Estadual e fundador do MDB – Movimento Democrático Brasileiro. Com a ajuda de Nivaldo dos Santos, até então Deputado Estadual (coligação PR-PSD) cassado pela ditadura militar, obteve mais de mil votos em Boquim, para senador mas perdeu a eleição.
A partir de  1965, o AI- 2 estabelecia que os vereadores não recebessem nenhum tipo de remuneração e em 1969 o AI- 7 , permitiu que somente os vereadores das capitais e municípios com população superior a 300 mil habitantes poderiam ser remunerados. Na década de 70 destacamos como prefeitos da cidade Cleonâncio da Fonseca (71-72) e Horácio Fernandes Fontes.
Em Boquim segundo as atas desse período até 1974 discussão e votação de projetos de lei e requerimentos sobre construção da Praça Vigário Cravo (1972), denominações dos primeiros conjuntos construídos pela COHAB na cidade como Conjunto Honorina Fernandes Fontes e Conjunto Caçula Barreto e mudança da rua Nova Brasília para Avenida Gov. Paulo Barreto de Menezes, reconstruções de cisternas no povoado Miguel dos Anjos, construção de um Parque Infantil, verbas a Sociedade São Vicente de Paula (1972); não tem registrado nas atas a construção da Rodovia da Laranja, onde tem seu marco com placa na atual avenida principal.

A atual sede da Lira senhora Santana, antigo Mercado de Talho teve indicações para reconstrução do mesmo onde funcionaria o Ambulatório e Consultório médico do município em 1973. É neste ano também que o vereador Pedro Araújo de Farias faz requerimento solicitando a construção de um Fórum da Comarca de Boquim, uma vez que todas as cidades que são sedes de Comarca já tinham procurado construir os seus prédios.

Fato curioso foi registrado na ata da 5ª sessão ordinária no dia 16 de abril da Câmara de 1974 onde ocorreu a votação e aprovação do Projeto de Lei nº 25 que solicitava demolir um prédio na Praça Celso Oliva para ser construída a Biblioteca Municipal Dr. Hermes Fontes, o projeto teve dois votos contrários pelos edis do MDB que alegaram  do requerimento chegar atrasado, depois do prédio já está demolido.

Cleonâncio Fonseca
Durante esse período entre ARENA e MDB temos os seguintes vereadores titulares e seus suplentes:
Vereadores Boquim 1971 a 1974
(ARENA)
·         Raimundo Ramos,
·         Josefina Dias de Oliveira,
·          Augusto Jacó dos Santos,
·         Pedro Araujo de Farias,
·         Daniel do Nascimento,
·          José Nivaldo Silveira de Carvalho,
·         Geminiano Fernandes da Fonseca.
·         Benjamin Eduardo Fontes de Farias Fernandes
Horácio Fontes
(MDB)
·         Edvaldo Alves Rocha,
·         José Rodrigues dos Santos
·         George Macêdo dos Santos.
·         Antonio José Franca

Comissões: 71

Justiça educação saúde e assistência social:
Geminiano Fernandes da Fonsêca,
George Macêdo dos Santos
 Raimundo Ramos

Finanças, obras publicas, transporte e comunicações:
José Rodrigues dos Santos
 Augusto Jacó dos Santos

Comissões: 73

Justiça educação saúde e assistência social:
José Rodrigues dos Santos,
 Augusto Jacó dos Santos,
Pedro Araujo de Farias

Finanças, obras publicas, transporte e comunicações:
José Rodrigues dos santos,
Augusto Jacó dos Santos

Prefeitos:
Cleonâncio Fonseca
Horácio Fernandes Fontes

Como a sociedade civil boquinense viveu esse período, que vereadores de Boquim foram cassados após o golpe militar é um leque a ser aberto aos poucos e as fontes de nossa história devem ser constantemente relidas para que tenhamos a maior riqueza preservada de uma sociedade: SUA MEMÓRIA, para que nunca seja esquecida.



Fontes/Referencias:
ü  SANTOS, Nivaldo(Ex Deputado) O Velho Gerreiro A MINHA HISTORIA POLÍTICA. Boquim, Gráfica Boquinense, 2000.
ü  MODESTO Alailson Pereira, Patricia dos S.S., SANTOS Raylane do Nascimento; SANTOS Claudefranklin Monteiro(org.). Uma Cidade em pé de Guerra: Saramandaia X Bole-Bole. Aracaju – Gráfica J.Andrade, 2008.
ü  Livros de Ata da Câmara Municipal de Boquim de 1950-53 E SET/71 A SET/74
ü  A.T. Montalvão & E. Seidl. Artigo - A Arena Sergipana: Trajetórias Políticas dos Deputados Federais, SCIENTIA PLENA –www.scientiaplena.org.br, vol6,num 3, 2010
ü  DANTAS, Ibarê. A Tutela Militar em Sergipe, 1964/1984: Partidos e Eleições num Estado Autoritário. Rio de Janeiro,Tempo Brasileiro, 1997
ü  Wikipédia
 fotos : Site da prefeitura municipal de Boquim